Protótipo: As mudas que dão frutos

Como seria o protótipo de um projeto que se propõe a nada humilde tarefa de minimizar as mudanças climáticas?

Segundo o dicionário, um protótipo é “Aquilo que se faz pela primeira vez e, normalmente, é depois copiado ou imitado como um modelo.” No jargão das startups, esse conceito se confunde com o de “MVP Concierge”.  Esse Mínimo Produto Viável oferece a proposta de valor principal do produto ou serviço para testar seu apelo popular e validar sua solução.

Bom, podemos dizer que desse mal a CoClima não sofrerá. Nosso protótipo foi manual, artesanal e até um pouco rural.

Tudo começou durante o Sprint liderado pelos generosos mentores Renato Peixoto e Richard Vignais.  A ideia era que os membros da equipe divergissem em suas propostas, para incentivar a criatividade, e depois convergirem em uma só solução. Mas como criar uma versão simples de um projeto tão ambicioso?! “Sem uma linha de código”, nos aconselharam.

Então surgiu a semente. Ou melhor, um selo chamado semente, cujo valor unitário nessa fase é ainda de módicos 50 centavos. A semente é oferecida no ato da compra de serviços e produtos e os valores serão destinados ao plantio de árvores.

Cinco pequenas empresas se candidataram como “cobaias” do protótipo. Gente inovadora e visionária, nossos primeiros parceiros!

E toca fazer panfleto, carimbo, pedido na gráfica, cortar selinhos a mão em família, levar o kit na casa de cada empreendedor… Ufa, canseira, mas nosso protótipo estava finalmente na rua!

Com a equipe imersa em quatro programas de aceleração: R&R, REconomy, Elaempoder@ e LabicUFRJ, quinze dias nunca passaram tão rapidamente. Quando nos demos conta, já era hora de encarar os dados preliminares: 95% de aceitação do público! : O

Dados promissores. Os testemunhos dos parceiros foram bem positivos e oito parceiros potenciais surgiram no período. Como num bom protótipo, o faturamento foi pífio, mas nos permitiu realizar um primeiro ato simbólico: duas lindas mudinhas, de acerola e cajá, plantadas com nossas próprias mãos no domingo, 25 de outubro.

E você sabia que mudas podem dar frutos?

Pois veja: A Alameda Sandra Alvim fica no Recreio dos Bandeirantes.

Ali, o grupo Patativas criou um pequeno paraíso. Tem árvores crianças, adolescentes e anciãs. Têm poesias, bancos e até uma pequena biblioteca a céu aberto. Por isso, a Alameda foi a opção de morada para nossas primeiras mudinhas. Frisa-se “primeiras”, pois nossa meta é plantar ao menos 1750 árvores nos próximos doze meses.

Foi assim que ontem, no fim do dia, recebi uma mensagem de alguém querendo comemorar o aniversário com uma campanha de doação para plantios entre amigos. Que ideia linda, repliquei!

Preparei a peça de divulgação, link para doações e fui olhar o Instagram da aniversariante: Fabiana Karla. Ela. A atriz, apresentadora, humorista e, agora sei, ser humano doce e gentil. Um milhão e meio de seguidores?! O coração pulou uma batida. Mas como ela conseguiu meu contato?

Bem… Era uma vez um sonho, que virou sementes, que se transformaram em mudas, que forma plantadas numa alameda adotada por pessoas que conheciam uma atriz, que tinha muitos amigos e desejava muitas árvores. E isso é só o começo da história…

Seríamos somente nós os preocupados com as Mudanças Climáticas?

Para sabermos se essa angústia relativa às mudanças climáticas e essa vontade louca de plantar árvores era só nossa ou se estávamos canalizando um sentimento coletivo, iniciamos nossas pesquisas sobre o tema.

E não é que, a inspiração que bateu primeiro na Roberta e depois foi pegando cada um de nós, estava alinhada mesmo com a energia do planeta?  Vou dividir aqui com vocês brevemente um resumo do que fomos descobrindo sobre o quão preocupadas estão as pessoas. Lá no final tem todos os links para quem se interessar em pesquisa mais.

Segundo um estudo realizado em 26 países pelo Centro de Pesquisas Pew, com sede em Washington, e divulgado em fevereiro de 2019, para a maioria dos entrevistados, incluindo os brasileiros, as mudanças climáticas encabeçam a lista das maiores preocupações mundiais sobre segurança, à frente do terrorismo e dos ataques cibernéticos.

Em dezembro de 2019, a Anistia Internacional realizou uma pesquisa com 10 mil jovens de mais de 20 países para que eles elegessem os problemas mais importantes da atualidade e o tema mudanças climáticas foi o mais citado. Ressalto que nessa lista havia 23 problemas que o mundo enfrenta e as mudanças climáticas deixaram todos para trás. A maioria dos entrevistados não vê nada pior: o aquecimento global é o nosso principal desafio, seguido por poluição e terrorismo.

Jovens em protesto na última sexta-feira (15) por ações climáticas urgentes. Foto: Flickr (CC)/Rox

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC), que é um órgão das Nações Unidas que tem como função fazer avaliações de informações científicas sobre as alterações climáticas,  os brasileiros tem mesmo muito que se preocupar. Ainda segundo esse Painel, os maiores castigados pelas mudanças climáticas serão provavelmente os países tropicais e poderão ocorrer uma série de inundações, em virtude da intensificação das tempestades, e períodos longos de estiagem. Nessas duas situações, a pecuária e a agricultura poderão ser prejudicadas, assim como a sobrevivência de diversas espécies.

Não podemos esquecer-nos também de que a saúde humana pode ser afetada gravemente com as alterações climáticas. Problemas tais como insolação, alergias, doenças transmitidas por mosquitos como a dengue e a malária, desnutrição e fome podem ser intensificados devido ao aumento da temperatura global.

Não sei vocês, mas meus cabelos da nuca ficam de pé só de pensar nas consequências  que nos esperam, caso não façamos nada logo…

Uma pesquisa realizada pela Market Analysis no final de 2019 e divulgada em março de 2020 mostra que 93% dos brasileiros acreditam nas mudanças climáticas e as entendem como um fenômeno concreto, urgente de raiz humana. A pesquisa foi online e entrevistou maiores de idade, homens e mulheres de todas as classes sociais das 5 regiões do país.

As informações que estamos encontrando indica um grau de realismo climático bastante alto, especialmente entre os brasileiros, apontando que os estes entendem as mudanças climáticas como problema real e urgente, conectado à ação humana e responsável pelo aquecimento global mas mantêm-se otimistas quanto ao timing para mitigar ou neutralizar seus efeitos.

Fonte: Realismo climático no Mundo postado na página: savecerrado.org 
Fonte: Realismo Climático no Mundo disponivel na página https://envolverde.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/Slide3.png

Decisões importantes para proteção climática do planeta vêm sendo sempre adiadas, o que vai agravando a situação. Um amplo relatório climático da ONU,  “Declaração da OMM sobre o estado do clima global em 2019“, liderado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM e)divulgado em março de 2020, mostra que a mudança climática está tendo um efeito importante em todos os aspectos do meio ambiente, bem como na saúde e bem-estar da população global.

Esse relatório contém dados fornecidos por uma extensa rede de parceiros e documenta sinais físicos das mudanças climáticas — como aumento do calor da terra e do oceano, aceleração da elevação do nível do mar e derretimento do gelo — e os efeitos indiretos em desenvolvimento socioeconômico, saúde humana, migração e deslocamento, segurança alimentar e nos ecossistemas terrestre e marítimo.

Acho que por muitas pessoas não sentirem o efeito diretamente,  o senso de urgência fica um pouco adormecido por aqui, mas  precisamos nos mexer… agora. Observem os dados desse mesmo relatório de como a situação está ficando cada vez mais complicada

A mudança climática está afetando a saúde da população global: os relatórios mostram que, em 2019, temperaturas recordes levaram a mais de 100 mortes no Japão e 1.462 mortes na França. Os casos de dengue também aumentaram em 2019, devido às temperaturas mais altas que facilitam a transmissão da doença por mosquitos.

Após anos de declínio constante, a fome está novamente em ascensão, impulsionada por mudanças climáticas e eventos climáticos extremos: mais de 820 milhões de pessoas foram afetadas pela fome em 2018.

Os países do Chifre da África foram particularmente afetados em 2019, onde a população sofreu com eventos climáticos extremos, deslocamento, conflito e violência. A região registrou secas, chuvas extraordinariamente fortes no final do ano e uma das piores pragas de gafanhotos dos últimos 25 anos.

Em todo o mundo, cerca de 6,7 milhões de pessoas foram deslocadas de suas casas devido a riscos naturais — em particular tempestades e inundações, como os muitos ciclones devastadores e inundações no Irã, Filipinas e Etiópia. O relatório prevê um número de deslocamentos internos de cerca de 22 milhões de pessoas durante todo o ano de 2019, ante 17,2 milhões em 2018.

Fonte: imagem livre disponível na internet.

Ressalto que esses dados são de um documento oficial da ONU e mostram bem que está na hora de fazermos algo pela nossa Terra. O tempo é agora. Nós, brasileiros, estamos bem a par do que está acontecendo e podemos encabeçar um movimento por mudança no mundo. Quem vem com a gente? 🙂

Referências:

https://www.dw.com/pt-br/mudan%C3%A7a-clim%C3%A1tica-%C3%A9-maior-preocupa%C3%A7%C3%A3o-global-sobre-seguran%C3%A

https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/mudancas-climaticas.htm

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/12/09/mudancas-climaticas-sao-preocupacao-para-os-jovens-mostra-pesquisa.ghtml

Era uma vez … a CoClîma

Era uma vez, longos dias de quarentena, entre a sala, a cozinha e o quarto, quando nos veio uma vontade de plantar árvores.

 Frente ao caos que nossa sociedade estava vivendo, nos nos tornamos o público de um cenário totalmente inesperado.

A parada momentânea das atividades humanas deixou lugar ao um espectáculo lindo: o planeta se renovando. Golfinhos e cisnes em Veneza, ovelhas na Inglaterra, as águas e o ar se renovando em cidades nas quais essa realidade não existia mais. 

Conversa após conversa, do zoom até whatsapp, as ideias revolucionárias comecaram a surgir! Nesse momento histórico, será que poderiamos começar uma eco revolução? ! Nossas armas seriam as árvores, e nossos aliados os cidadãos e as empresas.

Aux armes citoyens ! 

Toda revolução é iniciada por idealistas, sonhadores, filósofos, intelectuais, trabalhadores. Essa revolução iniciou-se num momento de crise. 

Discreto mas brusco, dentro de casa, um Hino começou a se formar, e a jornada Coclima a avançar!