5 coisas que você e sua empresa precisam saber sobre ESG e várias dicas práticas

São tantas as siglas que circulam por nossas vidas, não? ISS, IR, IPTU… Chega a dar um arrepio só de pensar no que há por trás delas! Porém, tem uma que era quase desconhecida do grande público, mas despontou como um sol durante a pandemia. É a tal da ESG. E o melhor: ela nada tem que ver com impostos. Ela tem a ver com um novo paradigma e é muito bem vinda. A CoClima está aqui para te ajudar a não perder o bonde!

Por que você cidadão, dono de uma pequena ou média empresa precisa conhecê-la? Em primeiro lugar, para se convencer de uma vez por todas que o mundo está mudando e que quem não mudar junto, vai ficar para trás. Porém, talvez você não precise que te convençam. Precisa apenas entender como participar da festa. Estamos aqui para isso.Por que você cidadão, dono de uma pequena ou média empresa precisa conhecê-la? Em primeiro lugar, para se convencer de uma vez por todas que o mundo está mudando e que quem não mudar junto, vai ficar para trás. Porém, talvez você não precise que te convençam. Precisa apenas entender como participar da festa. Estamos aqui para isso.

ESG é a sigla para Environment, Social and Governance, ou em português, Ambiente, Social e Governança, referindo-se a critérios de boas práticas empresariais relacionados a cada um desses aspectos. Nesse post, iremos te contar as cinco coisas mais importantes que você e sua empresa precisam saber sobre esse tema.

1 – Empresas com estruturas fortes de ESG enfrentaram menos dificuldades na crise

Empresas com ações na bolsa são classificadas de acordo com seu potencial de risco financeiro para os investidores. A própria pandemia da Covid-19 demonstrou como estamos todos vulneráveis ao risco e sujeitos a eventos imprevistos. Para Ricardo Zibas, sócio-diretor de consultoria em ESG da consultoria KPMG, as empresas que se estruturam sobre princípios ESG estão mais preparadas do ponto de vista da gestão para lidar com esses riscos. Por conta disso, seus ativos foram mais valorizados neste período.

2 – Não só as empresas com ações na bolsa que devem se ocupar dos princípios ESG

Segundo artigo na revista Isto É Dinheiro “Integração ESG significa enxergar a empresa de forma holística, analisando tanto seus aspectos econômicos e financeiros, como também sociais, éticos e de sustentabilidade”. Há benefícios muito práticos dessa perspectiva. Assim como um corpo não é a mera soma de seus vários órgãos, o lucro de uma empresa não é indiferente ao bem estar integral da organização. A saúde financeira e a qualidade de vida dos funcionários, por exemplo, são aspectos intimamente relacionados.

3 – A sociedade está de olho e seu olho é verde

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada em novembro 2020 mostrou que 94% dos brasileiros se digam preocupados com o meio ambiente (77% muito preocupados e 17% mais ou menos preocupados). Ainda, 95% da população concorda que é possível alinhar progresso econômico com a conservação e 50% dos brasileiros se dizem afetados por algum problema ambiental. A mensagem é clara: nenhuma empresa é uma ilha e não é possível isolá-la dos problemas e anseios da sociedade. Bem pelo contrário. A escolha é simples: abrir os olhos agora ou mantê-los fechados, talvez para sempre.

4 – Visão de futuro

Se hoje o assunto já assumiu certa importância, no futuro ele tende a crescer. De acordo com um especialista da EXAME Research “Esse segmento vai continuar crescendo e ganhando mais representatividade. Os millennials e a geração Z são muito preocupados com o impacto ambiental e social que causamos na sociedade.” Um estudo da empresa E-Consulting aponta que o consumo consciente é a grande tendência pós pandemia. É natural que seja. Segundo a ONU, a própria pandemia é relacionada à degradação ambiental. Infelizmente, as gerações mais jovens tendem a passar por eventos como esse com maior frequência. Algo que era teórico e abstrato no passado, passa a ser muito concreto e pesar cada vez mais em nossas escolhas, inclusive de consumo.

5 – E na prática?

Espero que tendo chegado até aqui nesse texto, você já esteja pensando em como aplicar os princípios ESG a sua empresa, seja ela do tamanho que for. Afinal, você quer crescer e prosperar, não é mesmo?

Para colocar tudo isso em prática, alguém poderia te sugerir contratar uma consultoria. Se você tem processos complexos e está muito aquém do desejado, pode ser uma boa ideia. Contudo, na maioria dos casos, basta um olhar cuidadoso e um pouco de boa informação.

Então, aí vão algumas dicas práticas de como inserir os pilares ESG no dia a dia da sua organização:

  • Preze pela governança ética e transparente da sua organização em termos dos seus princípios norteadores, fluxos decisórios e apresentação de resultados.
  • Inclua os fatores ESG na sua matriz SWOT (de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças) de planejamento. Novas regulamentações impactarão negativamente os negócios do tipo “mais do mesmo” (business as usual), mas muitas oportunidades beneficiarão os inovadores.
  • Reveja os processos de consumo de energia, água e matérias primas. Busque formas de aumentar a eficiência e reduzir desperdícios. Considere o uso de materiais renováveis e/ou biodegradáveis nos seus produtos e/ou embalagens.
  • Examine também os processos que implicam descarte de resíduos, liberação de poluentes e emissão gases do efeito estufa (GEE). As emissões de GEE não passíveis de redução podem ser compensadas ou neutralizadas. Há diversas opções para fazer isso, mas uma bastante prática e barata é a compensação no ato da venda de produtos ou serviços, como realizado pela CoClima.
  • Dê atenção aos relacionamentos com fornecedores, parceiros e funcionários. Não descuide da qualidade de vida, da inclusão e da diversidade dos seus colaboradores.
  • Conduza um processo de incentivo ao intra-empreendedorismo e à inovação entre os colaboradores visando à otimização dos fatores ESG.
  • Considere seus investimentos com base em uma visão progressista do futuro e da tecnologia e prepare-se para ser uma empresa referência em boas práticas.
  • Alinhe seus funcionários em torno à cultura da sustentabilidade e recompense-os de acordo. Empresas que prezam pela ética e por uma imagem positiva costumam atrair e reter os melhores talentos.
  • Comunique tudo isso aos seus clientes. Eles vão adorar saber que podem contar com você!

Pegada de Carbono é o que, afinal?!

Por Clarissa da Silva Moura e Roberta Guimarães

Você já se questionou como suas escolhas do dia a dia afetam a atmosfera e a estabilidade climática? Se sua pegada de carbono é de gigante ou de anão?

Existem muitos estudos e publicações que enfatizam os impactos causados no meio ambiente pelos seres humanos. Em 1995, Wackernagel e Rees publicaram o livro “Our Ecological Footprint: Reducing Humam Impact on the Earth”. Nele, foi introduzido um indicador de sustentabilidade ambiental que pode ser usado para medir e gerenciar o uso de recursos do Planeta.

Esse indicador é usado para monitorar a sustentabilidade do estilo de vida dos indivíduos, produtos e serviços, organizações, indústrias, cidades, regiões e até nações.

A esse ponto, você deve estar se perguntando quais fatores influenciam esse indicador. Vamos lá!

A Pegada Ecológica mede o impacto, ou seja, o uso humano ecossistemas.

Já a Biocapacidade é a capacidade das áreas biologicamente produtivas de terra ou água de renovar os recursos naturais e absorver a produção resíduos. Ambas são expressas em hectares globais de áreas biologicamente produtivas.

As contas da Pegada Ecológica e da Biocapacidade abrangem seis grandes categorias de áreas bioprodutivas: terras agrícolas, terras de pasto, florestas, áreas de pesca, áreas de consumo de carbono e solo construído. Portanto, esses indicadores avaliam o equilíbrio entre consumo de recursos e produção de resíduos e é diretamente influenciado pelas escolhas, hábitos de vida e quantidade de pessoas no Planeta.

E como isto está relacionado à Pegada de Carbono?

A pegada de carbono refere-se atividades humanas que emitem Gases do Efeito Estufa (GEEs) e também é determinada pelo nossas escolhas e estilos de vida.

Diferentes atividades emitem diferentes tipos de GEEs, mas todos podem ser convertidos em carbono equivalente de acordo com sua contribuição para as mudanças climáticas. Hoje em dia, mais de 50% da nossa pegada ecológica corresponde à Pegada de Carbono. Na década de 1970, essa fração era muito menor.

Se as escolhas de produtos/processos/serviços influenciam na emissão de GEEs, então podemos fazer alguma coisa para mudar a situação atual, não? A pergunta é: Como?

A Pegada de Carbono tem várias fontes, como a queima de combustível fóssil, uso de agrotóxicos, produção de cimento, criação de gado, desmatamento, queimadas… Então, a modificação de hábitos e escolhas de consumo são de extrema importância. Nas escolhas, optar por produtos com embalagens recicláveis ou recicladas, alimentos orgânicos e sacolas retornáveis. Nos hábitos, fazer compostagem dos resíduos orgânicos, usar transporte coletivo ou bicicletas etc..

E o que não dá para reduzir ou eliminar sem abrir mão do que é importante para nós? Ah, para isso tem a CoClima! Uma árvore sequestra entre 130 e 250kgs de carbono ao longo da sua vida(1), além dos seus vários outros benefícios adicionais como:

Não é à toa que as “soluções baseadas na natureza”, como o plantio de árvores, são tidas como o método mais eficiente e barato de reverter o processo de mudanças climáticas(2). E não é à toa que a CoClima o abraçou… Além do fato que nós simplesmente AMAMOS árvores, lógico.

Protótipo: As mudas que dão frutos

Como seria o protótipo de um projeto que se propõe a nada humilde tarefa de minimizar as mudanças climáticas?

Segundo o dicionário, um protótipo é “Aquilo que se faz pela primeira vez e, normalmente, é depois copiado ou imitado como um modelo.” No jargão das startups, esse conceito se confunde com o de “MVP Concierge”.  Esse Mínimo Produto Viável oferece a proposta de valor principal do produto ou serviço para testar seu apelo popular e validar sua solução.

Bom, podemos dizer que desse mal a CoClima não sofrerá. Nosso protótipo foi manual, artesanal e até um pouco rural.

Tudo começou durante o Sprint liderado pelos generosos mentores Renato Peixoto e Richard Vignais.  A ideia era que os membros da equipe divergissem em suas propostas, para incentivar a criatividade, e depois convergirem em uma só solução. Mas como criar uma versão simples de um projeto tão ambicioso?! “Sem uma linha de código”, nos aconselharam.

Então surgiu a semente. Ou melhor, um selo chamado semente, cujo valor unitário nessa fase é ainda de módicos 50 centavos. A semente é oferecida no ato da compra de serviços e produtos e os valores serão destinados ao plantio de árvores.

Cinco pequenas empresas se candidataram como “cobaias” do protótipo. Gente inovadora e visionária, nossos primeiros parceiros!

E toca fazer panfleto, carimbo, pedido na gráfica, cortar selinhos a mão em família, levar o kit na casa de cada empreendedor… Ufa, canseira, mas nosso protótipo estava finalmente na rua!

Com a equipe imersa em quatro programas de aceleração: R&R, REconomy, Elaempoder@ e LabicUFRJ, quinze dias nunca passaram tão rapidamente. Quando nos demos conta, já era hora de encarar os dados preliminares: 95% de aceitação do público! : O

Dados promissores. Os testemunhos dos parceiros foram bem positivos e oito parceiros potenciais surgiram no período. Como num bom protótipo, o faturamento foi pífio, mas nos permitiu realizar um primeiro ato simbólico: duas lindas mudinhas, de acerola e cajá, plantadas com nossas próprias mãos no domingo, 25 de outubro.

E você sabia que mudas podem dar frutos?

Pois veja: A Alameda Sandra Alvim fica no Recreio dos Bandeirantes.

Ali, o grupo Patativas criou um pequeno paraíso. Tem árvores crianças, adolescentes e anciãs. Têm poesias, bancos e até uma pequena biblioteca a céu aberto. Por isso, a Alameda foi a opção de morada para nossas primeiras mudinhas. Frisa-se “primeiras”, pois nossa meta é plantar ao menos 1750 árvores nos próximos doze meses.

Foi assim que ontem, no fim do dia, recebi uma mensagem de alguém querendo comemorar o aniversário com uma campanha de doação para plantios entre amigos. Que ideia linda, repliquei!

Preparei a peça de divulgação, link para doações e fui olhar o Instagram da aniversariante: Fabiana Karla. Ela. A atriz, apresentadora, humorista e, agora sei, ser humano doce e gentil. Um milhão e meio de seguidores?! O coração pulou uma batida. Mas como ela conseguiu meu contato?

Bem… Era uma vez um sonho, que virou sementes, que se transformaram em mudas, que forma plantadas numa alameda adotada por pessoas que conheciam uma atriz, que tinha muitos amigos e desejava muitas árvores. E isso é só o começo da história…

O meu primeiro encontro com Elisa

“Ela tem direito a saber, quando pede uma entrega de orgânicos, que mesmo assim está contribuindo as mudanças climáticas!”

Roberta estava com os olhos aguados e a voz entrecortada por lágrimas.

“O problema é que Elisa acha que está fazendo tudo direitinho, mas não existe nenhuma ação de consumo que não tenha alguma pegada de carbono. É nosso dever fazer que ela saiba disso”.

Antes que eu pudesse formular qualquer resposta, vejo Iara parada de pé na porta do escritório, de braços cruzados olhando para nós com cara de ponto interrogativo.

“Mãe, com todo respeito, mas eu acho que está precisando de um psicólogo”.

Eu e Roberta olhamos pra ela e depois um ao outro, antes de explodir em gargalhadas.

Precisava de todo o pragmatismo e da imensa sabedoria da nossa caçula de 10 anos para nos trazer a realidade.

Mas para entender a piada, é necessário voltar atrás algumas semanas quando Elisa “nasceu”.

Não, Elisa não é a nossa filha recém nascida (o que dá para deduzir pelo fato que uma recém nascida não pede entregas de orgânicos). Elisa é mais parecida com uma amiga, ou melhor… uma amiga imaginária.

Mas vamos proceder com ordem…

“Não existe nenhuma ação de consumo que não tenha alguma pegada de carbono. É nosso dever fazer que ela saiba disso”

Roberta G. De Souza

Foi pouco depois da ideia da CoClima começar a se cristalizar, que nossa equipe começou a se perguntar o que as pessoas achavam das mudanças climáticas. Será que os temas do efeito estufa e da pegada de carbono só preocupam a gente? Será que as pessoas têm consciência do que fazem e dos próprios impactos?

Começamos assim lançando uma pesquisa (tema do último post). Com isso não só descobrimos que não estávamos sozinhos, como que éramos a maioria!

A maioria das pessoas esta preocupada com assuntos ligados a saúde do nosso Planeta. A maioria também sabe que a melhor solução é plantar arvores! Um pequeno exército de Elisas começava já a tomar forma. Vamos plantar juntos então!

Ainda era cedo, porém, para dar um nome a nossa parceira de viagem, ao “quinto elemento” da CoClima.

Para isso acontecer foi necessário um processo de entendimento mais profundo sobre quem era o nosso principal interlocutor. Isso ocorreu com o processo de Design Sprint que fizemos com a preciosa ajuda dos nossos mentores Renato Peixoto e Richard Vignais.

O Sprint é uma dinâmica inicialmente desenvolvida pelo Google, com o escopo de criar, desenhar, prototipar e testar uma solução a um problema em 5 dias. O nosso foi um Sprint um pouco mais demorado e está agora em fase de teste do protótipo, mas ainda assim foi rápido.

Já tínhamos claro o problema e com isso partíamos com bases solidas. Tínhamos também uma ideia de como solucioná-lo, mas uma coisa que o Sprint nos ensinou foi deixar de lado preconceitos e hipóteses sem antes testá-los.

Começamos assim colocando no papel (um “papel virtual” compartilhado na ferramenta Miro) todas as nossas hipóteses. As pessoas percebem o problema? O que elas acham que pode ser feito a respeito? Elas têm consciência de que estão contribuindo para o problema? Estão interessadas em contribuir com soluções? Que esforços estão dispostas a fazer para isso?

Após ter formulado nossas hipóteses, foi a hora de verificá-las. Todos marcamos encontros com pessoas mais ou menos conhecidas e as entrevistamos.

Foi aí que percebemos que existia um padrão de pessoas que classificamos assim:

  • Embaixador otimista: entende o problema e acredita que nossas ações podem fazer a diferença.
  • Embaixador pessimista: entende o problema, mas acredita que a solução tem que vir do governo e das empresas.
  • Interessado otimista: sabe que existe o problema e poderia até contribuir na solução se fosse fácil e acessível.
  • Interessado pessimista: apesar de saber que o problema existe, não o entende bem e não acredita que podemos fazer a diferença.
  • Negacionista: acha que o problema não existe e que a terra é plana.

Entre os cinco grupos, para começar a conversar, escolhemos a primeira “persona”, antenada ao “nosso” problema quase da mesma forma que nós e que poderia ser interessada em ouvir a nossa proposta de contribuição para conter as mudanças climáticas.

Foi assim que a Elisa nasceu.

Ela nasceu já na faixa entre 20-30 anos, já trabalha e é independente. Está muito preocupada com o meio ambiente e pratica hábitos sustentáveis e consumo consciente.

É extrovertida, ama viajar e gosta de ter uma vida saudável. Sonha de ter um trabalho ligado aos próprios propósitos e de poder contribuir para melhorar o mundo ao próprio redor.

Elisa poderia ser nossa amiga. Nós poderíamos ser Elisa. Tem um pouco de Elisa dentro de nós.

Olhando por este ângulo, fica mais clara a reação da Roberta: nós entendemos Elisa, temos empatia por ela. Queremos dar para ela um instrumento para poder contribuir ativamente com a melhoria do planeta.

Por isso, cara Iara, não precisamos de um psicólogo. Precisamos colocar logo a CoClima para funcionar.

Quem tem medo das mudanças climáticas?

Consternados com as informações na mídia sobre mudanças climáticas? Incomodados com as imagens de fim do mundo ligadas ao tema? Ou tranquilos, achando que tudo não passa de intriga da oposição? Como afinal nós brasileiros nos sentimos em relação a isso?

Essas perguntas têm nos perseguido desde que eu, Jonathan, Rita e Antonio decidimos criar a CoClima há três meses. Estamos no grupo dos preocupados, mas se sozinhos ou acompanhados não sabemos ao certo. No último post, mostramos que existem alguns dados na internet sobre o assunto, mas ainda sentíamos falta de algumas infos. 

Foi assim que entre 5 e 25 de julho nos aventuramos nessa empreitada de realizar nossa própria pesquisa. Criamos dois questionários online praticamente iguais: um no Google forms para ser distribuído por Whatsapp e outra numa ferramenta chamada Survey, distribuída pelo Facebook via impulsionamento. A ideia de ter dois questionários separados foi ir além da nossa “bolha” social. Depois juntamos tudo e analisamos no excel.

Curiosos? Vamos aos resultados?

O primeiro resultado, que nos deixou muito felizes, foi o alto número de respondentes: 779 pessoas em 20 dias. Ao juntar as duas fontes de pesquisa, a amostra ficou bem distribuída tanto em termos de idade quanto de renda. Contudo, há quase o dobro de mulheres em relação aos homens. Achamos que isso pode dever-se a um maior interesse das mulheres em responderem à pesquisa e vamos ver porque logo adiante. 

Primeira surpresa: Quando perguntados sobre seu nível de preocupação com mudanças climáticas, 59% das pessoas (homens e mulheres) disseram estar muito preocupadas e 33%, mais ou menos preocupadas. Apenas 6% estão pouco preocupadas e míseros 2% se consideram nada preocupadas. 

Sabemos que as pessoas que não se preocupam com o tema dificilmente responderiam uma pesquisa à respeito, mas ainda assim, esses números nos surpreenderam. Não estamos sós!

Ainda que hajam muitas pessoas preocupadas de ambos os sexos, há mais mulheres que homens entre os muito preocupados, 65% e 35% respectivamente. A preocupação também aumenta significativamente com a idade, mas em todas as faixas etárias a proporção de “muito preocupados” está acima de 50%. A preocupação independe da faixa de renda dos respondentes. Isso indica que, ao contrário do que alguns acreditam, as mudanças climáticas não são um tema importante apenas para as classes mais altas. Afinal, já há diversos estudos que demonstram que são os mais pobres sofrem com maior intensidade as consequências negativas (UN DESA. 2018).

A grande maioria dos respondentes (83%) acha que ainda é possível reverter as mudanças climáticas, mas admite que será difícil ou, ao menos, não muito fácil. Além disso, acreditam que essa responsabilidade é compartilhada por cidadãos, empresas e governo, em ordem crescente de relevância. 

Os cidadãos que nos responderam estão sim dispostos a dar sua contribuição: 86% contribuiria com plantio e conservação de florestas, 67% boicotariam empresas poluidoras,  66% conseguem diminuir o uso de carro, 57% se dispõe a consumir menos carne, 12% investiria em créditos de carbono e  10% não saberia o que fazer. Obtivemos várias outras respostas interessantes para essa pergunta, como: diminuir a igualdade social, instalação de energia solar, reciclagem de lixo, compostagem de orgânicos, diminuição do uso de plásticos, etc..

São todas atitudes muito válidas. As opções de múltipla escolha embasaram-se nas maiores fontes de emissão de gases do efeito estufa hoje no Brasil que são:

  • 1° desmatamento,
  • 2° agropecuária,
  • 3° setor energético, incluindo transportes e
  • 4° processo indústrias (Brasil, 2019).

Muita gente apontou a falta de meios efetivos e acessíveis como os fatores que mais os limitam a agir em resposta às mudanças climáticas (69% e 66%, respectivamente). Outros 62% apontaram a falta de dinheiro e de informação como sendo fatores importantes.

Pois é, com tanta tecnologia por aí, será que ainda existe um mecanismo de baixo custo para ajudar as pessoas colocar em prática sua vontade de agir? Bom, se não existe, acho que precisamos inventá-lo.

Brasil. Brazil´s Third Biennial Update Report; To the United Nations Framework Convention on Climate Change. 2019. Disponível em: https://sirene.mctic.gov.br/portal/export/sites/sirene/backend/galeria/arquivos/2019/05/31/20180228_BRABUR3_ENG_FINAL.pdf  Acesso em 30/07/2020

UN DESA – United Nations Department of Economic and Social Affairs Economic Analysis. World Economic And Social Survey 2018: Frontier Technologies For Sustainable Development. Disponível em: https://www.un.org/development/desa/dpad/publication/world-economic-and-social-survey-2018-frontier-technologies-for-sustainable-development/   Acesso em 30/07/2020

Seríamos somente nós os preocupados com as Mudanças Climáticas?

Para sabermos se essa angústia relativa às mudanças climáticas e essa vontade louca de plantar árvores era só nossa ou se estávamos canalizando um sentimento coletivo, iniciamos nossas pesquisas sobre o tema.

E não é que, a inspiração que bateu primeiro na Roberta e depois foi pegando cada um de nós, estava alinhada mesmo com a energia do planeta?  Vou dividir aqui com vocês brevemente um resumo do que fomos descobrindo sobre o quão preocupadas estão as pessoas. Lá no final tem todos os links para quem se interessar em pesquisa mais.

Segundo um estudo realizado em 26 países pelo Centro de Pesquisas Pew, com sede em Washington, e divulgado em fevereiro de 2019, para a maioria dos entrevistados, incluindo os brasileiros, as mudanças climáticas encabeçam a lista das maiores preocupações mundiais sobre segurança, à frente do terrorismo e dos ataques cibernéticos.

Em dezembro de 2019, a Anistia Internacional realizou uma pesquisa com 10 mil jovens de mais de 20 países para que eles elegessem os problemas mais importantes da atualidade e o tema mudanças climáticas foi o mais citado. Ressalto que nessa lista havia 23 problemas que o mundo enfrenta e as mudanças climáticas deixaram todos para trás. A maioria dos entrevistados não vê nada pior: o aquecimento global é o nosso principal desafio, seguido por poluição e terrorismo.

Jovens em protesto na última sexta-feira (15) por ações climáticas urgentes. Foto: Flickr (CC)/Rox

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC), que é um órgão das Nações Unidas que tem como função fazer avaliações de informações científicas sobre as alterações climáticas,  os brasileiros tem mesmo muito que se preocupar. Ainda segundo esse Painel, os maiores castigados pelas mudanças climáticas serão provavelmente os países tropicais e poderão ocorrer uma série de inundações, em virtude da intensificação das tempestades, e períodos longos de estiagem. Nessas duas situações, a pecuária e a agricultura poderão ser prejudicadas, assim como a sobrevivência de diversas espécies.

Não podemos esquecer-nos também de que a saúde humana pode ser afetada gravemente com as alterações climáticas. Problemas tais como insolação, alergias, doenças transmitidas por mosquitos como a dengue e a malária, desnutrição e fome podem ser intensificados devido ao aumento da temperatura global.

Não sei vocês, mas meus cabelos da nuca ficam de pé só de pensar nas consequências  que nos esperam, caso não façamos nada logo…

Uma pesquisa realizada pela Market Analysis no final de 2019 e divulgada em março de 2020 mostra que 93% dos brasileiros acreditam nas mudanças climáticas e as entendem como um fenômeno concreto, urgente de raiz humana. A pesquisa foi online e entrevistou maiores de idade, homens e mulheres de todas as classes sociais das 5 regiões do país.

As informações que estamos encontrando indica um grau de realismo climático bastante alto, especialmente entre os brasileiros, apontando que os estes entendem as mudanças climáticas como problema real e urgente, conectado à ação humana e responsável pelo aquecimento global mas mantêm-se otimistas quanto ao timing para mitigar ou neutralizar seus efeitos.

Fonte: Realismo climático no Mundo postado na página: savecerrado.org 
Fonte: Realismo Climático no Mundo disponivel na página https://envolverde.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/Slide3.png

Decisões importantes para proteção climática do planeta vêm sendo sempre adiadas, o que vai agravando a situação. Um amplo relatório climático da ONU,  “Declaração da OMM sobre o estado do clima global em 2019“, liderado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM e)divulgado em março de 2020, mostra que a mudança climática está tendo um efeito importante em todos os aspectos do meio ambiente, bem como na saúde e bem-estar da população global.

Esse relatório contém dados fornecidos por uma extensa rede de parceiros e documenta sinais físicos das mudanças climáticas — como aumento do calor da terra e do oceano, aceleração da elevação do nível do mar e derretimento do gelo — e os efeitos indiretos em desenvolvimento socioeconômico, saúde humana, migração e deslocamento, segurança alimentar e nos ecossistemas terrestre e marítimo.

Acho que por muitas pessoas não sentirem o efeito diretamente,  o senso de urgência fica um pouco adormecido por aqui, mas  precisamos nos mexer… agora. Observem os dados desse mesmo relatório de como a situação está ficando cada vez mais complicada

A mudança climática está afetando a saúde da população global: os relatórios mostram que, em 2019, temperaturas recordes levaram a mais de 100 mortes no Japão e 1.462 mortes na França. Os casos de dengue também aumentaram em 2019, devido às temperaturas mais altas que facilitam a transmissão da doença por mosquitos.

Após anos de declínio constante, a fome está novamente em ascensão, impulsionada por mudanças climáticas e eventos climáticos extremos: mais de 820 milhões de pessoas foram afetadas pela fome em 2018.

Os países do Chifre da África foram particularmente afetados em 2019, onde a população sofreu com eventos climáticos extremos, deslocamento, conflito e violência. A região registrou secas, chuvas extraordinariamente fortes no final do ano e uma das piores pragas de gafanhotos dos últimos 25 anos.

Em todo o mundo, cerca de 6,7 milhões de pessoas foram deslocadas de suas casas devido a riscos naturais — em particular tempestades e inundações, como os muitos ciclones devastadores e inundações no Irã, Filipinas e Etiópia. O relatório prevê um número de deslocamentos internos de cerca de 22 milhões de pessoas durante todo o ano de 2019, ante 17,2 milhões em 2018.

Fonte: imagem livre disponível na internet.

Ressalto que esses dados são de um documento oficial da ONU e mostram bem que está na hora de fazermos algo pela nossa Terra. O tempo é agora. Nós, brasileiros, estamos bem a par do que está acontecendo e podemos encabeçar um movimento por mudança no mundo. Quem vem com a gente? 🙂

Referências:

https://www.dw.com/pt-br/mudan%C3%A7a-clim%C3%A1tica-%C3%A9-maior-preocupa%C3%A7%C3%A3o-global-sobre-seguran%C3%A

https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/mudancas-climaticas.htm

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/12/09/mudancas-climaticas-sao-preocupacao-para-os-jovens-mostra-pesquisa.ghtml

Era uma vez … a CoClîma

Era uma vez, longos dias de quarentena, entre a sala, a cozinha e o quarto, quando nos veio uma vontade de plantar árvores.

 Frente ao caos que nossa sociedade estava vivendo, nos nos tornamos o público de um cenário totalmente inesperado.

A parada momentânea das atividades humanas deixou lugar ao um espectáculo lindo: o planeta se renovando. Golfinhos e cisnes em Veneza, ovelhas na Inglaterra, as águas e o ar se renovando em cidades nas quais essa realidade não existia mais. 

Conversa após conversa, do zoom até whatsapp, as ideias revolucionárias comecaram a surgir! Nesse momento histórico, será que poderiamos começar uma eco revolução? ! Nossas armas seriam as árvores, e nossos aliados os cidadãos e as empresas.

Aux armes citoyens ! 

Toda revolução é iniciada por idealistas, sonhadores, filósofos, intelectuais, trabalhadores. Essa revolução iniciou-se num momento de crise. 

Discreto mas brusco, dentro de casa, um Hino começou a se formar, e a jornada Coclima a avançar!

O meu primeiro encontro com a CoClima

Era uma noite escura e tempestuosa, Roberta estava rolando de um lado para outro na cama enquanto eu estava sempre mais me encolhendo na beirada. Quando a luz começou a invadir o quarto pela janela, só faltavam poucos milímetros para eu cair no chão. Foi aí que decidir me levantar.

Roberta estava já acordada e com os olhos bem abertos:

Antonio, não dá mais, estou muito preocupada com a situação do Planeta. Precisamos pensar em algo diferente. Tem que ser algo inovador, que use a tecnologia para plantar árvores.

Ao contrário da Roberta, o meu cérebro funciona como um motor diesel: na partida tem que esquentar e demora para ligar, mas depois pode continuar até altas horas. Demorei um pouco a entender do que se estava falando.

Na minha mente, ainda se recuperando do sono, começava a surgir uma imagem de como seria lindo aplicar o “CTRL+C” “CTRL+V” ao plantio de árvores, mas Roberta não parava e me trouxe de vez de volta a realidade:

Tive um sonho hoje a noite. Foi o meu espírito guia que entrou em contato, de novo, exatamente como quando decidi me dedicar a empreendimentos de impacto social. Só que desta vez me deu esta dica. Ficou claro que meu proposito na vida é plantar árvores.

Eu tinha visto esta luz nos olhos da Roberta já outras vezes, mas desta vez era mais brilhante. Estava como uma chuva torrencial de primavera e não parava de falar:

– Temos que encontrar uma forma para tornar sustentáveis os projetos de plantio.

Eu ainda lembrava da nossa última conversa sobre este assunto:

– Sim, Roberta, já falamos de uma plataforma para conectar comunidades de produtores orgânicos com pessoas das cidades, em um formato de sociedade, com cotas de participação nas plantações e colheitas. Acho isso muito bom.

– Antonio, é algo maior do que isso! Precisamos plantar mais árvores, em um esquema de neutralização de CO2.

– Vai ser então tipo uma daquelas empresas que neutralizam emissões plantando árvores ou comprando créditos de carbono? Já tem várias que atuam desta forma.

Eu estava acostumado com este papel: o advogado do diabo. Acho isso útil no processo de criação de algo novo. Contribui com a dialética, ajudando para dar forma às ideias, assim como o vento vence a inércia da areia esculpindo as dunas.

Isso, é claro, é útil se usado nas doses certas para não causar brigas do casal.

Como de costume Roberta, o ser humano cuja essência mais foge do termo “inércia”, apenas seguia em frente. Parecendo um rio abrindo espaço e avançando nas crateras de um canyon, acrescentava novos detalhes:

Precisamos que isso seja escalável, não engessado como os créditos de carbono. Uma forma de compensar com contribuições das pessoas algo mais simples, sem a burocracia dos esquemas internacionais. Tem que ser uma ação ligada a atividades do dia a dia. Valores pequenos cobrados como compensação ao uso de serviços e produtos que emitem CO2.

Aos poucos estava tomando forma um modelo, ainda cru, que precisava ser validado, estudado e lapidado, e com o qual outros parceiros pudessem se encantar e contribuir. Mas… tá aí, não era uma má ideia e poderia até ser a origem de um novo projeto bastante interessante.

Este foi o dia em que a CoClima deu seu primeiro respiro e nem nome ela tinha ainda.