5 coisas que você e sua empresa precisam saber sobre ESG e várias dicas práticas

São tantas as siglas que circulam por nossas vidas, não? ISS, IR, IPTU… Chega a dar um arrepio só de pensar no que há por trás delas! Porém, tem uma que era quase desconhecida do grande público, mas despontou como um sol durante a pandemia. É a tal da ESG. E o melhor: ela nada tem que ver com impostos. Ela tem a ver com um novo paradigma e é muito bem vinda. A CoClima está aqui para te ajudar a não perder o bonde!

Por que você cidadão, dono de uma pequena ou média empresa precisa conhecê-la? Em primeiro lugar, para se convencer de uma vez por todas que o mundo está mudando e que quem não mudar junto, vai ficar para trás. Porém, talvez você não precise que te convençam. Precisa apenas entender como participar da festa. Estamos aqui para isso.Por que você cidadão, dono de uma pequena ou média empresa precisa conhecê-la? Em primeiro lugar, para se convencer de uma vez por todas que o mundo está mudando e que quem não mudar junto, vai ficar para trás. Porém, talvez você não precise que te convençam. Precisa apenas entender como participar da festa. Estamos aqui para isso.

ESG é a sigla para Environment, Social and Governance, ou em português, Ambiente, Social e Governança, referindo-se a critérios de boas práticas empresariais relacionados a cada um desses aspectos. Nesse post, iremos te contar as cinco coisas mais importantes que você e sua empresa precisam saber sobre esse tema.

1 – Empresas com estruturas fortes de ESG enfrentaram menos dificuldades na crise

Empresas com ações na bolsa são classificadas de acordo com seu potencial de risco financeiro para os investidores. A própria pandemia da Covid-19 demonstrou como estamos todos vulneráveis ao risco e sujeitos a eventos imprevistos. Para Ricardo Zibas, sócio-diretor de consultoria em ESG da consultoria KPMG, as empresas que se estruturam sobre princípios ESG estão mais preparadas do ponto de vista da gestão para lidar com esses riscos. Por conta disso, seus ativos foram mais valorizados neste período.

2 – Não só as empresas com ações na bolsa que devem se ocupar dos princípios ESG

Segundo artigo na revista Isto É Dinheiro “Integração ESG significa enxergar a empresa de forma holística, analisando tanto seus aspectos econômicos e financeiros, como também sociais, éticos e de sustentabilidade”. Há benefícios muito práticos dessa perspectiva. Assim como um corpo não é a mera soma de seus vários órgãos, o lucro de uma empresa não é indiferente ao bem estar integral da organização. A saúde financeira e a qualidade de vida dos funcionários, por exemplo, são aspectos intimamente relacionados.

3 – A sociedade está de olho e seu olho é verde

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada em novembro 2020 mostrou que 94% dos brasileiros se digam preocupados com o meio ambiente (77% muito preocupados e 17% mais ou menos preocupados). Ainda, 95% da população concorda que é possível alinhar progresso econômico com a conservação e 50% dos brasileiros se dizem afetados por algum problema ambiental. A mensagem é clara: nenhuma empresa é uma ilha e não é possível isolá-la dos problemas e anseios da sociedade. Bem pelo contrário. A escolha é simples: abrir os olhos agora ou mantê-los fechados, talvez para sempre.

4 – Visão de futuro

Se hoje o assunto já assumiu certa importância, no futuro ele tende a crescer. De acordo com um especialista da EXAME Research “Esse segmento vai continuar crescendo e ganhando mais representatividade. Os millennials e a geração Z são muito preocupados com o impacto ambiental e social que causamos na sociedade.” Um estudo da empresa E-Consulting aponta que o consumo consciente é a grande tendência pós pandemia. É natural que seja. Segundo a ONU, a própria pandemia é relacionada à degradação ambiental. Infelizmente, as gerações mais jovens tendem a passar por eventos como esse com maior frequência. Algo que era teórico e abstrato no passado, passa a ser muito concreto e pesar cada vez mais em nossas escolhas, inclusive de consumo.

5 – E na prática?

Espero que tendo chegado até aqui nesse texto, você já esteja pensando em como aplicar os princípios ESG a sua empresa, seja ela do tamanho que for. Afinal, você quer crescer e prosperar, não é mesmo?

Para colocar tudo isso em prática, alguém poderia te sugerir contratar uma consultoria. Se você tem processos complexos e está muito aquém do desejado, pode ser uma boa ideia. Contudo, na maioria dos casos, basta um olhar cuidadoso e um pouco de boa informação.

Então, aí vão algumas dicas práticas de como inserir os pilares ESG no dia a dia da sua organização:

  • Preze pela governança ética e transparente da sua organização em termos dos seus princípios norteadores, fluxos decisórios e apresentação de resultados.
  • Inclua os fatores ESG na sua matriz SWOT (de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças) de planejamento. Novas regulamentações impactarão negativamente os negócios do tipo “mais do mesmo” (business as usual), mas muitas oportunidades beneficiarão os inovadores.
  • Reveja os processos de consumo de energia, água e matérias primas. Busque formas de aumentar a eficiência e reduzir desperdícios. Considere o uso de materiais renováveis e/ou biodegradáveis nos seus produtos e/ou embalagens.
  • Examine também os processos que implicam descarte de resíduos, liberação de poluentes e emissão gases do efeito estufa (GEE). As emissões de GEE não passíveis de redução podem ser compensadas ou neutralizadas. Há diversas opções para fazer isso, mas uma bastante prática e barata é a compensação no ato da venda de produtos ou serviços, como realizado pela CoClima.
  • Dê atenção aos relacionamentos com fornecedores, parceiros e funcionários. Não descuide da qualidade de vida, da inclusão e da diversidade dos seus colaboradores.
  • Conduza um processo de incentivo ao intra-empreendedorismo e à inovação entre os colaboradores visando à otimização dos fatores ESG.
  • Considere seus investimentos com base em uma visão progressista do futuro e da tecnologia e prepare-se para ser uma empresa referência em boas práticas.
  • Alinhe seus funcionários em torno à cultura da sustentabilidade e recompense-os de acordo. Empresas que prezam pela ética e por uma imagem positiva costumam atrair e reter os melhores talentos.
  • Comunique tudo isso aos seus clientes. Eles vão adorar saber que podem contar com você!

Pegada de Carbono é o que, afinal?!

Por Clarissa da Silva Moura e Roberta Guimarães

Você já se questionou como suas escolhas do dia a dia afetam a atmosfera e a estabilidade climática? Se sua pegada de carbono é de gigante ou de anão?

Existem muitos estudos e publicações que enfatizam os impactos causados no meio ambiente pelos seres humanos. Em 1995, Wackernagel e Rees publicaram o livro “Our Ecological Footprint: Reducing Humam Impact on the Earth”. Nele, foi introduzido um indicador de sustentabilidade ambiental que pode ser usado para medir e gerenciar o uso de recursos do Planeta.

Esse indicador é usado para monitorar a sustentabilidade do estilo de vida dos indivíduos, produtos e serviços, organizações, indústrias, cidades, regiões e até nações.

A esse ponto, você deve estar se perguntando quais fatores influenciam esse indicador. Vamos lá!

A Pegada Ecológica mede o impacto, ou seja, o uso humano ecossistemas.

Já a Biocapacidade é a capacidade das áreas biologicamente produtivas de terra ou água de renovar os recursos naturais e absorver a produção resíduos. Ambas são expressas em hectares globais de áreas biologicamente produtivas.

As contas da Pegada Ecológica e da Biocapacidade abrangem seis grandes categorias de áreas bioprodutivas: terras agrícolas, terras de pasto, florestas, áreas de pesca, áreas de consumo de carbono e solo construído. Portanto, esses indicadores avaliam o equilíbrio entre consumo de recursos e produção de resíduos e é diretamente influenciado pelas escolhas, hábitos de vida e quantidade de pessoas no Planeta.

E como isto está relacionado à Pegada de Carbono?

A pegada de carbono refere-se atividades humanas que emitem Gases do Efeito Estufa (GEEs) e também é determinada pelo nossas escolhas e estilos de vida.

Diferentes atividades emitem diferentes tipos de GEEs, mas todos podem ser convertidos em carbono equivalente de acordo com sua contribuição para as mudanças climáticas. Hoje em dia, mais de 50% da nossa pegada ecológica corresponde à Pegada de Carbono. Na década de 1970, essa fração era muito menor.

Se as escolhas de produtos/processos/serviços influenciam na emissão de GEEs, então podemos fazer alguma coisa para mudar a situação atual, não? A pergunta é: Como?

A Pegada de Carbono tem várias fontes, como a queima de combustível fóssil, uso de agrotóxicos, produção de cimento, criação de gado, desmatamento, queimadas… Então, a modificação de hábitos e escolhas de consumo são de extrema importância. Nas escolhas, optar por produtos com embalagens recicláveis ou recicladas, alimentos orgânicos e sacolas retornáveis. Nos hábitos, fazer compostagem dos resíduos orgânicos, usar transporte coletivo ou bicicletas etc..

E o que não dá para reduzir ou eliminar sem abrir mão do que é importante para nós? Ah, para isso tem a CoClima! Uma árvore sequestra entre 130 e 250kgs de carbono ao longo da sua vida(1), além dos seus vários outros benefícios adicionais como:

Não é à toa que as “soluções baseadas na natureza”, como o plantio de árvores, são tidas como o método mais eficiente e barato de reverter o processo de mudanças climáticas(2). E não é à toa que a CoClima o abraçou… Além do fato que nós simplesmente AMAMOS árvores, lógico.

Protótipo: As mudas que dão frutos

Como seria o protótipo de um projeto que se propõe a nada humilde tarefa de minimizar as mudanças climáticas?

Segundo o dicionário, um protótipo é “Aquilo que se faz pela primeira vez e, normalmente, é depois copiado ou imitado como um modelo.” No jargão das startups, esse conceito se confunde com o de “MVP Concierge”.  Esse Mínimo Produto Viável oferece a proposta de valor principal do produto ou serviço para testar seu apelo popular e validar sua solução.

Bom, podemos dizer que desse mal a CoClima não sofrerá. Nosso protótipo foi manual, artesanal e até um pouco rural.

Tudo começou durante o Sprint liderado pelos generosos mentores Renato Peixoto e Richard Vignais.  A ideia era que os membros da equipe divergissem em suas propostas, para incentivar a criatividade, e depois convergirem em uma só solução. Mas como criar uma versão simples de um projeto tão ambicioso?! “Sem uma linha de código”, nos aconselharam.

Então surgiu a semente. Ou melhor, um selo chamado semente, cujo valor unitário nessa fase é ainda de módicos 50 centavos. A semente é oferecida no ato da compra de serviços e produtos e os valores serão destinados ao plantio de árvores.

Cinco pequenas empresas se candidataram como “cobaias” do protótipo. Gente inovadora e visionária, nossos primeiros parceiros!

E toca fazer panfleto, carimbo, pedido na gráfica, cortar selinhos a mão em família, levar o kit na casa de cada empreendedor… Ufa, canseira, mas nosso protótipo estava finalmente na rua!

Com a equipe imersa em quatro programas de aceleração: R&R, REconomy, Elaempoder@ e LabicUFRJ, quinze dias nunca passaram tão rapidamente. Quando nos demos conta, já era hora de encarar os dados preliminares: 95% de aceitação do público! : O

Dados promissores. Os testemunhos dos parceiros foram bem positivos e oito parceiros potenciais surgiram no período. Como num bom protótipo, o faturamento foi pífio, mas nos permitiu realizar um primeiro ato simbólico: duas lindas mudinhas, de acerola e cajá, plantadas com nossas próprias mãos no domingo, 25 de outubro.

E você sabia que mudas podem dar frutos?

Pois veja: A Alameda Sandra Alvim fica no Recreio dos Bandeirantes.

Ali, o grupo Patativas criou um pequeno paraíso. Tem árvores crianças, adolescentes e anciãs. Têm poesias, bancos e até uma pequena biblioteca a céu aberto. Por isso, a Alameda foi a opção de morada para nossas primeiras mudinhas. Frisa-se “primeiras”, pois nossa meta é plantar ao menos 1750 árvores nos próximos doze meses.

Foi assim que ontem, no fim do dia, recebi uma mensagem de alguém querendo comemorar o aniversário com uma campanha de doação para plantios entre amigos. Que ideia linda, repliquei!

Preparei a peça de divulgação, link para doações e fui olhar o Instagram da aniversariante: Fabiana Karla. Ela. A atriz, apresentadora, humorista e, agora sei, ser humano doce e gentil. Um milhão e meio de seguidores?! O coração pulou uma batida. Mas como ela conseguiu meu contato?

Bem… Era uma vez um sonho, que virou sementes, que se transformaram em mudas, que forma plantadas numa alameda adotada por pessoas que conheciam uma atriz, que tinha muitos amigos e desejava muitas árvores. E isso é só o começo da história…

Quem tem medo das mudanças climáticas?

Consternados com as informações na mídia sobre mudanças climáticas? Incomodados com as imagens de fim do mundo ligadas ao tema? Ou tranquilos, achando que tudo não passa de intriga da oposição? Como afinal nós brasileiros nos sentimos em relação a isso?

Essas perguntas têm nos perseguido desde que eu, Jonathan, Rita e Antonio decidimos criar a CoClima há três meses. Estamos no grupo dos preocupados, mas se sozinhos ou acompanhados não sabemos ao certo. No último post, mostramos que existem alguns dados na internet sobre o assunto, mas ainda sentíamos falta de algumas infos. 

Foi assim que entre 5 e 25 de julho nos aventuramos nessa empreitada de realizar nossa própria pesquisa. Criamos dois questionários online praticamente iguais: um no Google forms para ser distribuído por Whatsapp e outra numa ferramenta chamada Survey, distribuída pelo Facebook via impulsionamento. A ideia de ter dois questionários separados foi ir além da nossa “bolha” social. Depois juntamos tudo e analisamos no excel.

Curiosos? Vamos aos resultados?

O primeiro resultado, que nos deixou muito felizes, foi o alto número de respondentes: 779 pessoas em 20 dias. Ao juntar as duas fontes de pesquisa, a amostra ficou bem distribuída tanto em termos de idade quanto de renda. Contudo, há quase o dobro de mulheres em relação aos homens. Achamos que isso pode dever-se a um maior interesse das mulheres em responderem à pesquisa e vamos ver porque logo adiante. 

Primeira surpresa: Quando perguntados sobre seu nível de preocupação com mudanças climáticas, 59% das pessoas (homens e mulheres) disseram estar muito preocupadas e 33%, mais ou menos preocupadas. Apenas 6% estão pouco preocupadas e míseros 2% se consideram nada preocupadas. 

Sabemos que as pessoas que não se preocupam com o tema dificilmente responderiam uma pesquisa à respeito, mas ainda assim, esses números nos surpreenderam. Não estamos sós!

Ainda que hajam muitas pessoas preocupadas de ambos os sexos, há mais mulheres que homens entre os muito preocupados, 65% e 35% respectivamente. A preocupação também aumenta significativamente com a idade, mas em todas as faixas etárias a proporção de “muito preocupados” está acima de 50%. A preocupação independe da faixa de renda dos respondentes. Isso indica que, ao contrário do que alguns acreditam, as mudanças climáticas não são um tema importante apenas para as classes mais altas. Afinal, já há diversos estudos que demonstram que são os mais pobres sofrem com maior intensidade as consequências negativas (UN DESA. 2018).

A grande maioria dos respondentes (83%) acha que ainda é possível reverter as mudanças climáticas, mas admite que será difícil ou, ao menos, não muito fácil. Além disso, acreditam que essa responsabilidade é compartilhada por cidadãos, empresas e governo, em ordem crescente de relevância. 

Os cidadãos que nos responderam estão sim dispostos a dar sua contribuição: 86% contribuiria com plantio e conservação de florestas, 67% boicotariam empresas poluidoras,  66% conseguem diminuir o uso de carro, 57% se dispõe a consumir menos carne, 12% investiria em créditos de carbono e  10% não saberia o que fazer. Obtivemos várias outras respostas interessantes para essa pergunta, como: diminuir a igualdade social, instalação de energia solar, reciclagem de lixo, compostagem de orgânicos, diminuição do uso de plásticos, etc..

São todas atitudes muito válidas. As opções de múltipla escolha embasaram-se nas maiores fontes de emissão de gases do efeito estufa hoje no Brasil que são:

  • 1° desmatamento,
  • 2° agropecuária,
  • 3° setor energético, incluindo transportes e
  • 4° processo indústrias (Brasil, 2019).

Muita gente apontou a falta de meios efetivos e acessíveis como os fatores que mais os limitam a agir em resposta às mudanças climáticas (69% e 66%, respectivamente). Outros 62% apontaram a falta de dinheiro e de informação como sendo fatores importantes.

Pois é, com tanta tecnologia por aí, será que ainda existe um mecanismo de baixo custo para ajudar as pessoas colocar em prática sua vontade de agir? Bom, se não existe, acho que precisamos inventá-lo.

Brasil. Brazil´s Third Biennial Update Report; To the United Nations Framework Convention on Climate Change. 2019. Disponível em: https://sirene.mctic.gov.br/portal/export/sites/sirene/backend/galeria/arquivos/2019/05/31/20180228_BRABUR3_ENG_FINAL.pdf  Acesso em 30/07/2020

UN DESA – United Nations Department of Economic and Social Affairs Economic Analysis. World Economic And Social Survey 2018: Frontier Technologies For Sustainable Development. Disponível em: https://www.un.org/development/desa/dpad/publication/world-economic-and-social-survey-2018-frontier-technologies-for-sustainable-development/   Acesso em 30/07/2020